Terça-feira, 25 de Setembro de 2007

Vamos protestar!

Depois de duas grandes guerras mundiais, os jovens, em meados da década de 1960, conviviam com a Guerra Fria ao mesmo tempo em que a violência racial e a guerra contra o Vietnã causavam grande agitação nos Estados Unidos. Os jovens norte-americanos de classe média começaram a analisar e contestar os valores estabelecidos pela sociedade consumista, já que todos deveriam se adequar aos moldes de vida americana, baseada em padrões de regras, proporcionando uma realidade mecânica. Dessa maneira, surge a contracultura que se desenvolveu não só nos Estados Unidos, mas também em toda a América Latina e Europa, tornando-se a mais importante forma de expressão dos jovens que queriam “cair fora” - filosofia do drop out - dos padrões estabelecidos pela sociedade e construir uma cultura alternativa.



O movimento procurava uma outra visão de mundo diferente daquela realidade dualista estabelecida pela Guerra Fria. É nesse contexto que se insere a grande utopia dos hippies: a construção de um paraíso aqui e agora, de paz e amor. Eram jovens da mais diversa extração social que ostensivamente vestiam-se de uma maneira chocante. Deixavam crescer barbas e cabelos, vestiam brim e trajes de algodão colorido, decoravam-se com colares, pulseiras, e profusões de anéis. Passaram a viver em bairros separados ou em comunidades rurais. Rejeitando a sociedade de consumo industrial viviam do artesanato e, no campo, da horta. Não mantinham as regras esperadas de comportamento, higiene, nem de sexualidade.



Outra forma de manifestação dos jovens foram os movimentos estudantis, que ocorreram principalmente em 1968. O mês de maio de 68 fez de Paris o centro do movimento pelo protesto dos estudantes contra o Plano Fouchet, uma tentativa de reforma do ensino superior que tinha como objetivo adequar a saída de estudantes das universidades às necessidades da economia, afetada por uma crise de superprodução capitalista.



Além disso, esses movimentos atingiram também países comunistas, principalmente a extinta Tchecoslováquia, onde os estudantes tentaram resistir à intervenção armada dos soviéticos em 20 de agosto de 1968. A URSS usou as tropas do Pacto de Varsóvia para interromper a implantação de um novo regime socialista, mais conhecido como a Primavera de Praga. O primeiro-ministro tchecoslovaco Alexander Dubcek desejava adotar medidas de abertura em relação ao regime político do país, entre elas estavam a liberdade de imprensa e consciência crítica, reforma econômica que limitasse o planejamento centralizado na burocracia do Estado, democratização da vida política e abolição da censura.



Dessa forma, podemos perceber que naquela época os jovens lutavam pelo o que queriam; não se acomodavam diante de situações que exigiam mudanças, buscavam melhorias que acabariam beneficiando toda a sociedade. O que se vê hoje é completamente o contrário: muitos jovens só pensam em seu próprio bem-estar, ignorando fatos e acontecimentos que de certa forma influenciam suas vidas. Quando se torna necessário que a juventude se expresse e se manifeste perante vários problemas sérios que estão presentes no dia-a-dia do cidadão brasileiro, ela simplesmente se conforma com a situação, achando que nada pode ser feito para mudar essa realidade.



Os jovens devem protestar, questionar, manifestar-se, lutar pelos seus direitos e ir em busca de uma sociedade mais justa e correta. Um bom exemplo disso pode ser o protesto contra a absolvição do processo de cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), realizado por cerca de quarenta alunos da Faculdade Cásper Líbero no dia dezoito de setembro. Os estudantes estavam com apitos, nariz de palhaço e cartazes que mostravam sua insatisfação para todas as pessoas que estavam andando pela Avenida Paulista, inclusive para os motoristas que trafegavam pelo local e que aderiram ao protesto, fazendo muito barulho com as buzinas de seus carros.



Não se acomode, não se conforme. Vamos protestar!

Sexta-feira, 14 de Setembro de 2007

PROTESTO CONTRA A IMPUNIDADE, DIA 18/09

Dia 18/09, às 13h no escadão da Gazeta.

Se você é contra a absolvição de Calheiros. Se você não confia mais no governo. Se você se decepcionou com a democracia brasileira, compareça.

É isso.

Encanadores evitam vazamento de informações

Todos conhecem ou, pelo menos, já ouviram falar do famoso caso Watergate. Este é considerado o maior escândalo político da história dos Estados Unidos. A maior potência mundial dificulta o acesso às informações estratégicas e tenta encobrir seus escândalos. A aparência é de que tudo anda bem, o que não é condizente com a realidade.

O caso Watergate possui relação com o não tão conhecido caso dos Documentos do Pentágono, sucesso de reportagem na década de 1970 nos EUA. Os dois escândalos culminaram na renúncia do Presidente Nixon.

Os Documentos do Pentágono consistiam de 47 volumes, com cerca de sete mil páginas, sendo três mil de narrativa história e quatro mil de documentos anexados. Apenas 15 cópias foram feitas e distribuídas, sendo que duas delas foram para a Rand Corporation. Daniel Ellsberg servia no Vietnã como funcionário do Departamento de Defesa, entre 1965 e 1967, quando teve acesso a uma das cópias que chegara para a Rand . Convencido de que o governo não estava sendo honesto e enganava a opinião pública, deixou vazar os documentos para o jornalista Neil Sheehan, do New York Times. Alguns dos “encanadores” (assim chamados por serem os responsáveis para evitar vazamentos de informações) da Casa Branca que foram pegos no edifício Watergate participaram um ano antes da invasão do consultório do psicanalista de Daniel Ellsberg, doutor Lewis Fielding. Os “encanadores” buscavam informações e documentos sobre nomes de possíveis conspiradores e os motivos e intenções de Ellsberg.
O conteúdo dos documentos, considerados top secret, comprovam que Truman ignorou várias cartas de Ho Chi Minh, líder comunista do Vietnã do Norte, pedindo auxílio, ao mesmo tempo em que financiava a França com armamentos, sem que o Congresso soubesse. Eisenhower concordou em dividir o Vietnã e apoiou o golpe de Diem, líder autoritário do Vietnã do Sul. Kennedy elaborou planos para um envolvimento no Vietnã e autorizou a derrubada e morte de Diem. E Johnson manipulou o ataque no golfo de Tonkin, que não ocorreu, para poder atacar o Vietnã do Norte.
Washington tentou conter a publicação, porém perdeu a causa na Corte Suprema por seis votos contra três.

O jornalismo investigativo foi primordial para desvendar fatos relevantes acerca da política oculta do país. A sociedade visivelmente se deixava levar pelas opiniões dos grandes jornalistas e pelas constatações da mídia, a imprensa era um grande poder formador de idéias.

Terça-feira, 11 de Setembro de 2007

Monsieur Verdoux

Idem, EUA, 1947, de Charles Chaplin.

Monsieur Verdoux é o primeiro filme que realmente rompe com a maneira Chaplin de fazer comédia. Não só o contexto era outro, mas a cabeça do criador mudara. A idade o amadureceu, e Verdoux talvez seja o seu trabalho mais maduro, mais sóbrio, e, porque não, o mais filosófico. Chaplin discute nessa comédia de costumes a questão da moral, da ética.

Com o Crack da Bolsa, em 1929, o banqueiro Henri Verdoux é despedido. Arranja, então, um negócio próprio para suprir as necessidades: vira investidor da bolsa. Só que para continuar nesse jogo, dá o golpe em velhas solitárias. Em diversas cidades ao redor da França, ele se compromete com mulheres de pequenas rendas, e se apossa do dinheiro. Para isso, usa diferentes nomes.

A questão que ele aborda é: até que ponto o ser humano pode suportar uma vida de infelicidades?, e se o considerado moralmente errado é de fato errado. É-se condenado por uma convenção, não necessariamente uma lei. ‘Devemos questionar isso?’ é a pergunta que fica. Afinal, quem instituiu tais dogmas? Porque ele deve se submeter a eles?

Monsieur Verdoux trata, também, de escrúpulos. O próprio personagem mostra-se contraditório no seu discurso sobre livre-arbítrio e questionamento da moral em determinados casos quando ultrapassa as condições por ele colocadas. A jovem moça que ele ajuda em certa altura do longa de 2 horas é uma mera cobaia. Ele se mostra um “filantropo”, mas na verdade ela é um meio, uma maneira de descobrir se o químico é de fato potente. O encontro dos personagens se sucederá novamente, e sem ter servidão, despreza-a. Henri trabalha por conta própria, e não se importa com nenhum obstáculo. Seria essa uma crítica ao capitalismo? Chaplin foi perseguido na era do Macarthismo, sendo deportado no início da década de 50, por ser um crítico do modelo capitalista em vigor, por ter uma veia comunista. Chaplin nunca o foi. Querer dizer que toda crítica ao governo situacional é de esquerda, comunista, é balela. Os ditos filmes políticos de Chaplin – Tempos Modernos, O Grande Ditador -, vão além da crítica superficial; criticam os efeitos das instituições, criticam a alienação involuntária e o totalitarismo... O filme aqui em questão tem seu lado político, mas em seu tradicional discurso final, ele se reafirma na posição defendida, não recua. Apenas explica, de maneira categórica, aliás, o seu ponto de vista. O que ele faz, de fato, é mostrar o lado humano do que muitos julgariam um crápula.

Terça-feira, 7 de Agosto de 2007

O Incrível Homem que Encolheu

The Incredible Shrinking Man, EUA, 1957, de Jack Arnold.

O Incrível Homem que Encolheu é talvez a mais célebre obra de Arnold. A partir do ideal do “american way of life”, Jack abala as estruturas americanas ao colocar uma aberração na boca do povo. Um homem, que ao passar por acontecimento não usuais, percebe uma mudança em sua estrutura física, está emagrecendo e diminuindo de altura. Médicos, especialistas e os próprios convivas dizem que está louco, que é apenas aparência; e um mundo de incertezas se abre para um homem “ideal”.

Ao brincar com o medo e inocência das pessoas, impõe sua visão, sua certeza e seu determinismo. Com a fatalidade se aproximando – diminuir cada vez mais -, é natural do espectador esperar a redenção, nem que seja no último segundo do filme. Ele está aprisionado numa esfera de ansiedade, numa luta contra as adversidades, sim, porque ele é um homem comum como qualquer um de nós, e isso, às vezes inconscientemente, funciona como um trampolim para o nosso próprio mundo, mascarado por uma névoa de fantasia. E o cinema Clássico está aí, na simples discussão de identidade do protagonista. Ele não sabe mais quem é, nem nós. Ao longo da narrativa, não há um questionamento sobre a autoridade dos fatos, porque não duvidamos de alguém, que como nós, é um estranho no ninho. A beleza da vida é eterna dependendo da forma e do olhar, as boas perspectivas não desanimam, independentemente da intragabilidade da situação. Jogando com isso, Arnold manipula suas imagens para construir uma história linear e sufocante.

O discurso final – uma dos mais belos encerramentos de um filme que já vi - é uma tese e quase uma conclusão da filosofia existencial criada pelo próprio filme – que pode muito bem ser adaptado ao universo como um todo, talvez de maneira rala, mas de imensa sabedoria. O questionamento de suas virtudes, de sua existência e de sua pequenez não se ludibria, e no infinito encontra aquilo que lhe é fundamental, o suplício de uma alma sem esperanças. Em sua divagação, pondera a eternidade e a infinidade, sob a ótica mais singela possível, sem pretensões e com sensibilidade. E numa transição do cinema Clássico para o Moderno, Arnold metaforiza talvez a própria trajetória da sua estética cinematográfica, seja qual for o viés. Seu trunfo, como filme, é existir.

Quarta-feira, 1 de Agosto de 2007

Volta às aulas

Pois é, pessoal, as aulas voltaram. Depois de um mês com tempo livre o bastante para se entregar aos mais loucos devaneios filosóficos, a faculdade volta à agenda, e as matérias são as pautas.

(Falem a verdade, fiz ótimas analogias)

O blog de filosofia não poderia ficar de fora, e com a avaliação mais rigorosa que o professor prometeu para o segundo semestre, o rítmo mudará e a quantidade de textos aqui publicados será maior que antes. Mesmo que poucas pessoas (ou quase nenhuma) leiam o blog.

Atualizando os leitores (?), nesse terceiro bimestre apresentaremos nosso big seminário sobre Descartes e seu livro, o Discurso do Método. Boa parte dos posts serão sobre o texto, que dá o que falar.

Um bom segundo semestre a todos.

Domingo, 22 de Julho de 2007

Bom, só venho aqui para dizer que os valores sairam de minha pauta filosófica, dando lugar a outros assunto que estão sendo elaborados. E nãopostarei mais durante as férias, e desculpa de seixei alguém na mão com a falta dos tais textos que eu prometi. Mas eu acho que ninguém entrou aqui :)